quinta-feira, 10 de março de 2011

Dica de DVD: "De Olhos Bem Fechados" ("Eyes Wide Shut"). Com: Tom Cruise e Nicole Kidman.


Crítica: "De Olhos Bem Fechados", de Stanley Kubrick: A polêmica inversão da troca de papéis sociais com  a temática da Traição.
  •     Cotação: 5 estrelas. 

   Como falar do polêmico Stanley Kubrick (1928 - 1999)?  Sem dúvidas, podemos definir todo os seus trabalhos como sendo intensos, provocativos e à frente de seu tempo. Talvez por ser merecedor de tantas definições fortes,  é que ele tenha ficado conhecido, durante toda a sua vida, como um diretor/ produtor cinematográfico 'cult',  cujos filmes tinham fama de ser complexos e pouco populares, não agradando á massa que normalmente freqüenta os cinemas, ávida por novidades. E o mais curioso é que, por muito tempo, ele foi crucificado pela crítica especializada, que não aceitava seus filmes excêntricos. Porém, esta mesma crítica, anos mais tarde, passou a valorizar e respeitar seu trabalho, considerando seus filmes como obras clássicas.
   Com base nisso, já podemos imaginar o que nos espera em "De Olhos Bem Fechados". Uma dica: Prepare-se para perder o fôlego, e ser guiado por uma trama de suspense, dramas psicológicos e intrigas sexuais do começo ao fim, com toda a intensidade e exagero que caracterizam as obras de Kubrick. Este filme é uma obra de roteiro adaptado, ou seja, a história é baseada em outras fontes, e, neste caso, a inspiração do filme é o romance "Traumnovelle", do escritor alemão Arthur Schnitzler.
   Os protagonistas deste "thriller psicosexual" são os excelentes Tom Cruise e Nicole Kidman, que possuem uma filmografia elogiadíssima pela crítica epecializada e admiradíssima pelo público, e uma sensiblidde e intensidade absurdas para encarnarnar suas personagens, que nunca soam estereotipadas ou presas a clichês.
   Tom Cruise e Nicole Kidman (que eram casados durante a filmagem do longa), interpretam o casal Dr. Bill Harford, um clínico-geral, e Alice Harford, ex-curadora de arte de um museu local, recém-falido. Ambos tem uma filha de nove anos, Helena (a pequena Madison Eginton), e um casamento de 9 anos, aparentemente feliz e bem-sucedido. Porém, a relação dos dois entra em crise após Alice (Kidman) confessar a Bill (Cruise), que já se sentiu  atraída sexualmente por outro, e que seria capaz de qualquer loucura para ter uma noite de amor com o desconhecido, até mesmo abandonar o marido, a filha pequena  e os planos para o fuuro que o casal fazia.
   A partir daí, a trama gira em torno da tensão psicológica de Bill Harford (Cruise), e do início de seu transtorno emocional e psicológico, no qual ele imagina sua esposa o traindo repetidas vezes. Transtornado, Bill se vê em várias encruzilhadas, desde as tentativas frustradas de traição à sua esposa, até o aterrador momento em que ele se infiltra misteriosamente em um obscuro baile de máscaras, que envolve um ritual orgíaco, e que trará consequências terríveis à sua vida.
   Neste filme, há a inversão de papéis sociais, atribuídos ao homem  á mulher, no que se refere à polêmica temática da traição. No papel social clássico, o homem trai sem se importar com as consequências, como se agisse certo e fizeesse o papel de 'macho', e em oposição à essa postura, a mulher vê a traição de um modo esencialmente negativo, e procura evitá-la a todo custo. Porém, em alguns casos, se a mulher ainda tem sentimentos pelo homem, ela se propõe a discutir a relação, para ver o que pode ou não ser concertado.
 No caso do filme, Bill (Cruise), é um homem moralmente correto, que que nunca pensou em trair a esposa e abandonar a família, em oposição à Alice (Kidman), uma mulher lasciva e libertina, que é capaz de qualquer coisa para satisfazer seu apetite sexual.
  Opiniões e críticas à parte, o mais importante é que assistam a esse filme interessantíssimo, com a mente aberta, e tirem suas próprias conclusões! Vale a pena! Isso eu lhes garanto!



    Crítica escrita nos dias:  06/03/11 e 07/03/11.
  

                                            Maria Rosa Dias.